Gostar de pintura é completamente natural, inato, fisiológico. Ninguém me ensinou a gostar, nem nunca me formataram para gostar mais ou menos deste ou daquele género. E a verdade é que não gosto de um género, nem de um único pintor. Gosto do que acho bonito.
Como tudo o que nos é natural, intrínseco, também o meu gosto por pintura me traz emoções. Lágrimas ou sorrisos simples.
Chorei a olhar para um Picasso. Porque me aproximei dele, porque lhe senti o cheiro, porque sem lhe poder tocar, vi as texturas, as pinceladas. E porque, convenhamos, estar perto de um Picasso, um Dali ou um Miró, é coisa para nos fazer sentir especiais. Não sei se me senti mais culta, mais sabedora de alguma coisa ou apenas cheia de sorte por ter dois olhos saudáveis. Mas chorei. Pela Beleza, porque há coisas lindas no Mundo. As que são obra de Deus já são admiráveis por si mas Ele tudo pode. O que me fascina quando é o Homem, com todas as suas limitações, o criador do Belo, é a sua capacidade para se elevar. Não são as suas mãos que pintam um quadro ou tocam uma sinfonia, é a sua alma. Porque mãos são coisas que eu, graças a Deus, também tenho e não sei pintar, tocar, esculpir ou sequer desenhar nada de jeito. É a alma, a sua capacidade para se desprender da matéria, que torna alguns seres humanos geniais e lhes permite atingir o Belo. Compor o que nunca foi tocado, pintar o nunca antes visto, escrever o nunca vivido.
Deixo-vos com alguns exemplos de Belo, a propósito da pintura, tema de conversa.
Dali
Velasquez
Van Gogh
Rafaello
Gauguin
Perdoem-me os entendidos pela falha cronológica. E sim, Van Gogh cortou uma orelha, Dali tinha um bigode muito capaz, Rafaello já viveu há uns anos, Velasquez também e Gauguin foi viver para o Tahiti. Há muito a dizer sobre cada um deles, muito pormenores macabros sobre possíveis desvios de personalidade. Mas poucas palavras terão a capacidade de encerrar o que sinto ao olhar estas imagens. Mais uma vez, vou reduzir-me à simplicidade e deixo apenas uma: obrigada.




