segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Amanhã

Começa uma nova etapa. Vou mudar todos os meus horários. Vou ter mais tempo para umas coisas, menos para outras. Vou começar a chegar a casa mais tarde, eu que gosto tanto de estar em casa quando anoitece. Há uma sensação de segurança inerente ao facto de estar aqui a esta hora...

As minhas manhãs vão ser maiores. Vou começar a fazer umas caminhadas matinais, pela fresca. Vai fazer-me bem à alma e ao corpo. E eu não sei acordar tarde, mesmo que só entre ao meio-dia. Por isso vou aproveitar enquanto não chove para fazer exercício outdoors.

No fundo estou furiosa. Detesto desperdiçar tempo, sair do trabalho às nove da noite, não ter folgas ao fim de semana, almoçar às 4 da tarde, não ter horários iguais aos das pessoas com quem gosto de estar, não poder ir visitar a minha mãe ao fim de semana. Detesto, acima de tudo, mudar as minhas rotinas, os meus hábitos. Detesto sair da minha zona de conforto. Detesto sentir-me desprotegida, não saber o que fazer com o tempo, não controlar nada, não saber viver assim.
Mas detesto ainda mais estar desempregada, por isso não tenho opção. E detesto não ter opção.

Hoje detesto tudo. Detesto ter de fazer coisas que detesto. Gosto de trabalhar das 9 às 6, almoçar da 1 às 2, tomar café sempre no mesmo sítio. Isso dá-me segurança.

Por agora os níveis de segurança estão no red line. Em tudo.

Não podia deixar passar

Há poucas horas, partilhando parte deste blog com a minha mãe, resolvi dar uma olhadela pelas estatísticas. Devo confessar que, apesar de saber que o tab sempre lá esteve, nunca me interessou lá ir. Até hoje, vá Deus saber porquê.
Agora, a parte interessante. Quem por aqui costuma passar sabe que sou algo dada à lamechice, que contrabalanço com alguns comentários mais cáusticos, admito. Imaginem então esta que vos escreve quando descobriu que já teve visitas da Alemanha, dos Estados Unidos, da Rússia e da Ucrânia.

Não posso mesmo deixar passar. Não se sintam os meus compatriotas renegados, porque não é disso que se trata. Convenhamos que ser lida em países tão diferentes faz bem ao ego de qualquer blogger! Não sei se são nativos dos referidos países ou tuguinhas, mas só pela pachorra de me lerem, merecem todos o meu muito obrigada.

Sei que durante o mês de Dezembro, e por falta de actualizações, as visitas foram esmorecendo, mas tudo farei para ser mais assídua aqui na baiúca. Afinal as mais de 700 visitas pedem uma casinha mais arranjada, verdade?

Acho que agora, para a globalização do disparate, só falta que me leiam em Ushuaia!

sábado, 28 de janeiro de 2012

Ver para Crer

Já dizia São Tomé e é bem verdade. A que se aplica neste caso? Passo a explicar.
Eu, que sou uma crente na espécie humana, encontro algumas vezes dificuldades em basear este meu sentimento. Isto porque, normalmente, me desiludo com as atitudes pouco humanas de alguns seres.

Curiosamente, hoje deu-se o contrário. Esperei, do fundo do meu coração que uma determinada pessoa tivesse uma determinada atitude. E verbalizei a esperança, o que levou o meu interlocutor a sugerir que eu baixasse a fasquia de forma a minimizar o risco de desilusões.

Não aconteceu. Não me desiludi. Aquele ser, verdadeiramente humano, fez exactamente o que eu esperava que ele fizesse. E não foi algo simples, que qualquer ser pudesse fazer. Foi uma demonstração de educação, altruísmo, decência, amizade e carinho.

Fez-me bem apreciar o gesto. Faz-me acreditar que o Mundo tem salvação e que, pelos vistos, ainda anda aí muita gente boa.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

My Way

Ter um blog significa, não raras vezes, ter um caixote do lixo mental. É saudável. Poupamos os que gostam de nós a queixas e lamentos, mais ou menos exaltados. No meu caso particular, estes minutos de escrita ajudam-me a organizar as moléculas. E hoje as moléculas estavam particularmente agitadas por dificuldades de adaptação.

Durante 30 anos de vida já me habituei a ser vista como uma esperançosa excêntrica. Desde cedo me disseram que eu não ia mudar o mundo, que as coisas não são como eu quero.
Ainda recentemente voltei a ouvir o mesmo discurso. A minha mãe, sempre preocupada com as minhas (des)ilusões, fez questão de me dizer que eu idealizo demasiado a vida.
No meio de muitas palavras sábias percebi que o objectivo era fazer-me sonhar menos. "Tu queres que as coisas sejam sempre como tu as pensas. E às vezes não são." Claro que isto levantou imediatamente uma questão: como hei-de eu querer as coisas senão à minha maneira?

Assim, correndo o risco de cabeçadas, nódoas negras, e passando a cópia descarada, aqui fica parte de uma letra que me diz muito. Pirosa até mais não, escrita originalmente em francês por Claude François, que lhe deu o título de Comme d'Habitude, foi posteriormente adaptada para Sinatra (que a chegou a odiar!) por Paul Anka. No futuro, por adaptação.

Regrets I'll have a few
But then again too few to mention
I'll do what I have to do
And see it through without exemption

I'll plan each charted course
Each careful step along the byway
And more, much more than this
I'll do it my way

Yes there will be times I'm sure you know
When I'll bite off more than I can chew
But through it all when there is doubt
I'll eat it up and spit it out, I'll face it all
And I'll stand tall and I'll do it my way.


Entenda-se que, ainda que a esperança se mantenha a mesma, a excentricidade tem tendência a vergar-se perante a experiência. E a sensatez que, graças a Deus, já vou sentindo nas veias, começa a ser suficiente para perceber que nem tudo pode ser à minha maneira.

Mas, com educação e muita classe, será sempre ao meu jeitinho!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Há coisas fantásticas, não há?

E não é que deve haver mesmo? E as coisas hoje começaram assim.
Foi uma daquelas manhãs em que a minha cama não me queria deixar ir embora. Estava quentinha, macia... Lá me levantei a custo, motivada pelo chuveiro quente e obrigada pelas tarefas do dia.
Arrastei-me até ao metro e dali até à empresa sem o mínimo entusiasmo.

Tomei o café matinal, fumei o cigarro matinal. Percorri os meus habituais pensamentos matinais. E como habitualmente cheguei a algumas conclusões.

Entrei na sala e entreguei-me ao computador, ao projector e a cada uma das aplicações com que precisei de trabalhar hoje. E deixei-me ir. A inércia foi desaparecendo, as nuvens foram-se dissipando e dentro daquela sala instalou-se um Sol gigante. Não que o computador, o projector ou as aplicações tenham propriedades terapêuticas, nada disso. Mas os sorrisos têm, a solidariedade tem, palavras honestas de mimo têm.
Os meus Centrums e Red Bulls são os mimos, os sorrisos, a protecção que algumas pessoas me dedicam.
Gosto de acordar com música, dar muitos beijos logo de manhã, ir trabalhar com planos a saltitar na cabeça. Não sei se alguma vez vou poder ter manhãs assim, mas até lá, obrigada a quem dedica alguns minutos do seu dia a tentar preencher as primeiras horas dos meus dias e fazer-me sentir especial.

Coisas fantásticas? Não sei. Pessoas fantásticas, com toda a certeza.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Definições indecisas

Hoje o dia devia ser de definições. Mas só serviu para me baralhar.
Lá consegui saber que a formação de dois meses até correu bem, o que não me disseram foi o que vou fazer a seguir. Deixaram ao meu critério escolher o horário e, em função disso a equipa. Ou vice versa.

O dilema agora é escolher um horário normal mas ficar a dirigir uma equipa manhosa ou optar por um horário manhoso mas numa equipa desafiante. A primeira hipótese permite-me ter vida social, ver a luz do dia e ter um horário mais tranquilo. A segunda vai acabar com toda e qualquer oportunidade de socializar, sair ou ter uma vida normal.
Assim que qualquer pessoa me diria, obviamente, que optasse pela primeira. Mas a segunda, pelo trabalho que terei que desenvolver, tem mais probabilidade de, dentro do género, me preencher.

Decisão tomada. E mesmo assim não estou feliz. Sinto-me de asas cortadas, mãos atadas, boca silenciada. Que estranho...

domingo, 22 de janeiro de 2012

Nem sempre menos é mais

Um Domingo solarengo não é o ideal para estar agarrada ao PC. Nem eu estive. Mas numa das minhas deambulações pré-almoço, voltei a ver um site que já me tinha agradado antes... More is better.
Quem me conhece sabe que eu sou dada a acessorizar. Adoro os meus jeans e camisa branca mas depois gosto de apontamentos, pormenores. Como em tudo na vida, aliás: simples mas sempre com algo a descobrir.

E as pulseirinhas que vi no dito site são lindas. Simplesmente lindas. Nem quero saber se meio-mundo já as descobriu e se outro meio já as tem. Eu descobri hoje e quero meia dúzia.


Fiquei fã! Mas não fiquei por aqui. Como o almoço ainda tardava e como, de qualquer forma, não era eu que estava encarregue do repasto, continuei, qual Indiana Jones em busca do acesório perfeito.
Achei estas coisas, da Calvin Klein, marca da qual gosto particularmente pelas linhas simples.






 
As duas primeiras imagens são pulseiras, a terceira é um colar e a última um anel. Nenhuma delas é a dar para o barato, mas são todas perfeitas. Linhas depuradas, ar limpo e suave. Gosto. Very me.

Amanhã será um dia de definições, coisa que muito me agrada. Diz o meu horóscopo que vou ter um início de ano cheio de sucessos profissionais e com possibilidade de viagens. De repente não associo a minha função a grandes viagens, mas a ideia agrada-me. Acho que Marte está no meu signo e que me vai dar força para concretizar os meus projectos.
Não tenha eu vontade de andar para a frente, que sempre estou para ver se Marte me ajuda!
Anyway, é bom ler estas coisas. A motivação é sempre bem vinda.

Um dia de Sol

Adoro dias como o de hoje. Acordei pouco depois das oito, com o sol a inundar-me o quarto.
Já no dia anterior tinha decidido que ia vestir uma coisinha leve, tendo em conta o dia da semana e as condições atmosféricas previstas, por isso rapidamente saí de casa. O dia estava magnífico e até na minha rua, onde se costuma fazer sentir um vento serrano, a temperatura era primaveril.

Para não cansar ninguém com devaneios pormenorizados do meu dia, posso dizer que depois de mais de uma hora a ouvir música a vivo, fui passear na praia e acabei a tarde numa conhecida pastelaria do Restelo a comer os também conhecidos croissants. A companhia era boa e o dia ajudou.

Claro que eu, moça de nunca estar satisfeita com nada, queria só mais algumas coisinhas. Diz o povo que quem tudo quer, tudo perde, mas eu, moça de nunca estar satisfeita com nada, acho isto um disparate e, portanto, vou continuar a querer tudo.
A saber: sol no céu, croissants na barriguinha, dias bem passados, dinheiro na algibeira e quem eu gosto junto de mim.

Para quem se lembra do post acerca da felicidade a mais, aqui fica uma conclusão a que cheguei. Ter aquilo que se quer não é ser demasiado feliz. É ser feliz na justa medida. E de preferência numa casa amarela...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Longas ausências

Mais de dois meses... Foi o tempo que deixei a minha baiúcazinha abandonada...
Foi muito tempo. Ou apenas o suficiente, parece-me melhor assim.

Mudei de emprego, mudei de hábitos, mudei de café, mudei de perspectiva. Mas no fundo não mudei nada.
Já não ando de metro, mas falo com mais pessoas. Irrito-me mais, rio mais.
Já não trabalho num escritório, estou num open space. O barulho chega a impedir-me de me ouvir a mim própria.
Já não vou almoçar ao café do outro lado da rua, este fica numa rua mais acima. A Fátima e a Rosário foram substituídas pela Joana.
Já não vejo a Mafalda nem o Bernardo, falo todos os dias com a Ana e o Luís. Normalmente ao pé da máquina do café, que já não é uma DeLonghi e serve o pior café do mundo.

Mais de dois meses... Foi o tempo que precisei para arrumar tudo por aqui.

Longas ausências neste blog e em mim própria. Longos momentos de carinho, não neste blog, mas em mim própria. Desconstruí para voltar a construir. Questionei para voltar a acreditar.
Testo-me diariamente com um afinco cansativo mas perseverante. Ponho-me à prova. Deixei de ter medo de lutar ou vergonha de fugir.
Não raramente passa na minha cabeça a oração de que gosto tanto, "Força para lutar, resignação para aceitar e Sabedoria para distinguir".
Luto quando tem de ser, resigno-me pouco porque não faz o meu género, ainda ando à procura de ser sábia, mas é um processo.
Conheci seres humanos excepcionais. Conheci outros que me fizeram perceber que os primeiros são mesmo excepcionais. Ganhei um verdadeiro amigo e alguém que não posso sequer encerrar em definições.

Aprendi coisas que jamais me passaram pela cabeça. Aprendi a não dizer não, sorrir o tempo todo, usar as palavras certas para as ocasiões certas. E quando deixei de encerrar as pessoas em definições, aprendi o silêncio. Meaningful silences. Será esta a minha próxima tatuagem. E será a última.
Depois das infinitudes gritadas aos quatro ventos nas minhas costas, das celebrações dos arcanjos, da defesa da paz, e da constante lembrança dos lados escuros dos seres humanos, fica o selo. O lacre. O silêncio.

Vi a morte de um ente querido, vi-a por dentro. De mim. Chorei por mim e pela saudade que sei que vou ter. Chorei pelo que foi e já não volta e pelo que nunca foi e já não será. Voltei a morte do avesso e fi-la vida. Numa tentativa comum de tirar sempre sumo doce dos limões amargos, percebi que o tempo que cá estamos é só o suficiente para sermos felizes. E que dois meses não são nada, e trinta anos muito pouco.
Afinal nestes dois meses quase não choveu e nestes trinta anos pouco conheci.

Aqui fica um recomeço, que começa num fim que já se previa e caminha para onde eu o levar, ou para onde os silêncios me levarem a mim.