quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Há coisas fantásticas, não há?

Hoje, na minha viagem de Metro para o trabalho, vi uma senhora que costumo encontrar quase todos os dias. Vem sempre arranjada, coisa que eu acho já de si extraordinária, e com o seu cão. Porque a senhora é cega. Desculpem os mais sensíveis a estas matérias, mas para mim os cegos são cegos, os pretos são pretos e os brancos são brancos. Invisuais, negros ou arianos são palavrinhas bonitas e que, na minha modesta opinião, mascaram claramente preconceitos. Para mim é mais fácil, e honesto, chamar as coisas pelos nomes.
Então, a senhora cega vem sempre com o cão, que a guia para um lugar vazio onde, depois de a dona se sentar, ele se aconchega por debaixo. E isto eu já tinha visto várias vezes. Ali fica ele, muito sossegado, à espera de chegar ao destino.
O que eu nunca tinha reparado é que o bicho entende claramente o que diz a voz do Metro. Muito melhor que eu, ao que parece...
Eu pensei sempre que o cão se levantava às ordens da dona. Mas hoje percebi que não. Assim que o animalito ouviu "próxima estação: Saldanha" levantou-se num tiro e pôs-se logo no meio do corredor, como que a preparar os empurrões costumeiros da saída.
Pode ser um episódio vulgar, comum aos dias de muita gente, mas a mim arrancou-me um sorriso. O levantar da cabeça assim que ouviu a voz, o olhar para fora do vidro à procura das luzes da estação, a determinação com que defendeu o espaço da senhora fizeram-me sorrir. Eu, que não sou muito uma animal person, hoje fiquei com a sensação que muita gente podia aprender com bichinhos destes. Até eu, digo-vos já!

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