Gosto de ter um blog para "falar", para contar a quem (não) me lê as coisas que vou vendo na rua e me enchem o coração. Como trabalho numa das zonas mais agitadas de Lisboa, e ando de metro (não gosto!), tenho uma parafernália de coisas a acontecerem diariamente diante dos meus olhos.
Hoje foi esta.
Estava no meu cigarro matinal, antes de subir para o escritório e me afundar em mails e lágrimas (o que por si só, daria um outro post, adiante), quando vi um casal de velhinhos.
Antes de continuar, esclarecimento: as palavras são o que são e só são depreciativas para algumas cabeças. Se uma pessoa de 10 anos é nova, uma de 80 é velha. Se eu sou branca, há quem seja preto. E pronto. Simples e verdadeiro. Fim de aparte.
Então... Os velhinhos, mesmo muito velhinhos, daqueles para quem o verde na passadeira não chega para a atravessar, surgem no meu ângulo de visão. E chamaram-me a atenção por estarem muito conversadores. Ela levava a canadiana do lado esquerdo, ele do direito. Achei curioso. Complementam-se, pensei. Mas depois percebi o porquê de cada um ir apoiado de um lado. Iam de mãos dadas.
E eu, que já de mim sou a dar para o piegas, vi naquelas mãos enrugadas e cheias de artroses o meu sonho. Um dia, quando eu for muito velha, quero ter uma pessoa que me dê a mão. Mesmo que essa mão dependa de mim para atravessar uma passadeira.
Aproveito para repetir em silêncio a frase com que fechei a porta.
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