"Senhor, a Teus pés eu confesso..." Sou uma tipa demasiado analítica. E daqui à maledicência, já se sabe, é um pulinho. Mas não consigo evitar.
Hoje, logo pela fresca, apresentei-me na pastelaria do costume onde o Sr. Alberto me serve sempre o café do costume. Estava nos meus pensamentos do costume: mails para mandar, agenda para organizar, telefonemas para fazer... O costume.
O que nunca, senhores, nunca é costume, é entrar uma donzela practicamente desnudada. Vestido de napa colado ao corpo, muito acima do joelho e quase abaixo do esterno. Sapatos azul néon, cabelo preto aos caracóis a cair pelas costas. As unhas bem tratadas, o cabelo também. Pernas bem feitas e telemóvel de última geração. Não falou, trouxeram-lhe o que não pediu por já ter pedido tantas vezes.
Não, não me chocou por ter ar de porca. Chocou-me porque se via que era uma donzela asseada, aparentemente abastada para os dias que correm, considerada na pastelaria do bairro. Chocou-me porque apesar disto tudo tinha um ar de badalhoca que só visto...
E eu, que sou moça de processos mentais intrincados, vai de telefonar a um amigo homem para me ajudar a digerir o tema. Comecei o diálogo esclarecendo que não é inveja (que sei que é logo o que as mentes diminuídas pensarão) porque quem me conhece sabe que o meu ideal de beleza oscila entre a Gisele Bundchen e a Olivia Palermo. Essas sim, esmagava-as e fazia um soro para ver se injectando no sangue me transformaria o ADN para me parecer com elas... Enfim, apartes...
Lá perguntei ao senhor (que o é de facto) que pensamentos lhe viriam à cabeça perante semelhante imagem. A resposta foi pouco surpreendente: olhava, pensava que era boa, depois que tinha ar de porca e depois que nunca na vida mulher dele andaria na rua assim vestida. E a minha pergunta seguinte foi: mas pensas primeiro que é boa ou que é porca? Resposta: "Epá, não sei... Sabes que há uma diferença entre uma mulher ser sexy ou ser porca."
Sei. E ainda bem que alguns homens também sabem.
Sem comentários:
Enviar um comentário