segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A Minha Mãe e Eu


Este fim de semana, como em tantos outros, fui a casa da minha mãe. Saio do trabalho, no centro de Lisboa, e faço-me à estrada. A A1 conhece-me como um dos seus viajantes mais assíduos. Esta foto mostra mais uma viagem. O pontinho maior em cima, sozinho (e muitíssimo desfocado), é a Lua. Não era tarde ainda, deviam ser umas oito horas, estava a chegar a casa.
Cheguei, jantei, dormi, acordei e passei mais um dia com o primeiro amor eterno da minha vida: a minha mãe. Depois jantei, dormi, acordei e vim embora. São pouco mais de 24h que passam no tempo de um abraço, mas nesse tempo cada abraço dura uma eternidade.
Resolvi fazer este post para agradecer à minha mãe por ainda me deixar ser filha. Filha nos abraços e na comida que me prepara para trazer. Na toalha que me leva quando saio do banho e no gesto ternurento de me secar o cabelo.
É verdade, tenho 30 anos e a minha mãe seca-me o cabelo quando eu tenho preguiça. Para não ir para a rua com o cabelo molhado, diz ela.
Quando se é mãe às vezes deixa-se de ser filha e a minha mãe não deixa isso acontecer. Espero que um dia quando a minha filha tiver 30 anos, eu também lhe seque o cabelo, ouça os seus disparates e lhe compre os botins pelos quais se apaixonou.
Espero fazê-lo, mas nunca o farei tão bem como a minha mãe.
Nem sempre foi assim, claro. A minha mãe já foi outra mãe e eu também já fui outra filha. Mas o amor foi sempre o mesmo. Nas chineladas que levei em pequena e nos sermões que ouvi já maior, em todas as vezes que a desiludi e em todas em que a deixei orgulhosa de mim, o amor foi sempre o mesmo. E hoje, no meio de abraços demorados e desabafos mais demorados ainda, o amor continua a ser o mesmo.
O tempo é sempre pouco, voa, escorre pelas mãos. Mas nós, teimosas, insistimos em fazê-lo ficar, deitamo-nos às duas da manhã, pomos os nossos corações no coração da outra. E eu começo cada semana com a certeza cada vez mais inabalável que a minha mãe, no meio de Bimbys, trabalho e escola, salva o Mundo nas horas vagas. Pelo menos o meu.

2 comentários:

  1. Nunca aqui tinha vindo.... Vim hoje por acaso e amei este post.... Que bonito!!! Como eu gostava que os meus filhos um dia falassem assim da mãe deles.... Como eu gostava que um dia os meus filhos senttissem por mim um amor assim... Pode ser, nunca se sabe... para já ainda estamos na fase das chineladas e dos sermões!!!
    Beijinho grande cheio de admiração
    Maria Eugénia Pinto (não tenho blog!!!!)

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  2. Olá Maria Eugénia, em primeiro lugar obrigada por passar por aqui e por comentar. Foi o primeiro comentário que recebi e é bom saber que quem me lê gosta do que lê. E acredite que os seus filhos sentem um amor assim. Mas no meio de sermões e chineladas andam sempre mais ocupados a sentirem-se injustiçados! É uma das fases do (duro!!) processo...
    Um beijinho, Mimi

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