segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Será que o conceito "felicidade a mais" existe?

Tenho pensado um bocado nisto...
Será que há um limite para ser feliz? Imaginem: eu tenho filhos lindos, um marido que me adora, pilhas de dinheiro, pais que me apoiam, mas não sou feliz porque queria... Ter um emprego. Ou: eu adoro o meu trabalho, tenho uma casa fantástica que eu própria comprei e decorei, o meu namorado é o melhor do Mundo mas sou infeliz porque queria... Ter filhos. Ou: tenho amigos maravilhosos, uma casa linda, vivo com o amor da minha vida mas gostava de... Conhecer a minha mãe.
São exemplos parvos mas servem apenas para exemplificar que nós nunca estamos completamente felizes com o que temos e queremos sempre mais. Depois há quem se limite só a querer e há quem corra atrás das coisas.
Eu sou das que corre. E às vezes corro tanto que tropeço.
Eu tinha uma família linda (com duas enteadas que eram amores de beijinhos), uma casa linda, adorava trabalhar, viajava, comprava (quase tudo) o que queria. Mas digamos que o respectivo deixou de corresponder aquilo que eu queria. E separei-me. Porque ia tirar um peso de cima, porque queria viver a minha vida sem me sentir esmagada pelos humores da outra pessoa. Achei que seria mais feliz se conseguisse respirar.
E sou. Já não peço autorização para deixar entrar ar no meu peito, posso usar botins sem ser criticada e ter pijamas da Kitty aos molhos! A minha casa é só minha e é linda! Sou mais eu e descubro-me a cada dia. Mas já não vejo as miúdas, já não posso viajar, vivo a contar tostões e o meu Universo de contactos sociais resume-se à minha mãe e aos meus filhos.
Quero mais.
Tenho uma teoria que o Universo se auto-equilibra. Ou seja, se temos muito dinheiro, provavelmente não temos amigos; se temos um homem maravilhoso, temos um trabalho de caca; se temos dinheiro, amigos, um homem maravilhoso, então temos uma doença crónica qualquer, tipo bronquite, que nos tira o sono. É uma forma de equilíbrio. Ninguém pode ter tudo.
Mas será que eu podia ter um bocadinho mais? É que o trabalho é um nojo, o dinheiro nem o vejo, não tenho vida social, não tenho namorado. Coisas boas, e que ainda assim não trocava nunca: adoro a minha casa, tenho um Bogas que me leva a todo o lado e o mais importante, tenho a minha mãe e os meus filhos.
Agora a pergunta é: não será já suficiente? Tenho saúde, comida no prato, os meus sempre "à minha beira" e também de saúde, um tecto jeitosinho e um veículo que me facilita a vida. Será justo pedir mais? Bem, de verdade não queria muito mais. Só mais um bocadito de dinheiro, que agora vêm aí uns aniversários e depois o Xmas, um trabalho que me desse gozo e onde não fosse tratada ao pontapé e um homem honesto, bem formado, meiguinho e acima de tudo companheiro, para poder conversar e dar miminhos.
Não é muito, pois não? A minha mãe diz que devemos sempre pedir mais, querer mais, acreditar mais, lutar mais, correr mais. Mas a mim dá-me a sensação que se correr mais vou acabar por me estatelar no chão...

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